Gleice Bueno | Flores para ver

A primeira vez que me deparei com uma foto dela fiquei um pouco perplexa. Suas imagens contam uma história simultaneamente real e fantástica: pelas cores, intensidade e expressão que revelam. São como poesias, que em algum lugar íntimo conversam com a alma despertando-a para um paradoxo: o da necessidade e o prazer da beleza. Simplicidade e complexidade saturadas são algumas das sensações que tive nesse encontro. Me emociona que essas sejam as primeiras flores desse jardim. É um prazer poder compartilhá-las com você.
E se elas te tocarem assim como tocaram a mim, ofereça- as em outro jardim e deixe que ali floresçam ; )
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Pois é, Dona Florista…
Posso dizer que, seguramente, a experiência de fotografar me é tão ou mais cara que o resultado das imagens reveladas. Talvez, porque eu tenha me habituado a fotografar com a imaginação. Quando era pequena, meu pai nunca revelava os filmes e minha primeira (e única) câmera até os 18 anos foram as Loves (câmeras descartáveis) que ganhava da minha tia, depois que ela levava para o laboratório. Ou seja, eu jamais via o resultado das fotos que eu fazia… :)
Na faculdade de jornalismo tive meu primeiro contato mais formal com a fotografia e, ao mesmo tempo, com a antropologia. De lá para cá, de forma consciente e inconsciente, nunca mais separei uma coisa da outra. As pessoas, o espaço e as relações que nele e com ele se estabelecem são talvez o foco principal da minha fotografia.
Acho que, como qualquer outra atividade criativa, fotografar precisa ser uma experiência libertária. E nesse processo, a Holga (uma toy camera) tem sido minha maior companheira. Costumo dizer que ela me ajuda a ver com a alma. Com ela, fotografo sentimentos, principalmente os meus. Desde a primeira vez que usei, ela me libertou.
Por mais que eu escolha o tema, o filme, a técnica de revelação, o enquadramento, a composição, etc., acho que há sempre mais espaço para a imaginação, além de algum acaso, na fotografia feita com filme. Para quem é perfeccionista e um tanto controladora esse é um exercício de desapego.
A lente de plástico da Holga reflete o clima nostálgico de meus pensamentos. O fato de poder sobrepor imagens em múltipos cliques - como elas se processam na minha retina, quando estou na metrópole, ou na minha mente, em outros cenários mais tranquilos - fazem eu me reconhecer no resultado. Às vezes, pode até parecer abstração, mas é, quase sempre, o resultado mais fiel de como percebi o momento.
Compartilhar, através da web ou em exposições, o resultado do meu processo criativo também tem sido gratificante. Durante muito tempo, só os mais íntimos viam minhas fotos. Devo a eles, aliás, o incentivo para não deixar de lado esse caminho. Com a experiência, percebi que não se trata de exibição apenas, mas de troca. É bom quando faz sentido para mais alguém. É libertador e gratificante saber que sou capaz de produzir algo belo.
Gleice Bueno. Capixaba, jornalista, fotógrafa e pesquisadora de visualidades.
ei@gleice.com
@gleicebueno
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Você tem uma flor para compartilhar?
Envie para: afloristarosa@gmail.com

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