~ Thursday, February 25 ~
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Karine Rossi | Flores para voar

flores para voar

Ela saiu do interior de São Paulo com apenas um sonho: aprender a voar. Mas não poderia ser literalmente “voar”; o vôo de Karine também tinha que transcender,  transformar e libertar, tal qual o vôo da Fênix. Como ela faria isso? Através das palavras e da música. Foi na escrita e na música que a Karine, escritora e Dj, encontrou sua maneira de “voar”. Toda vez que me encontro com suas poesias, contos e mais recentemente com seus sets musicais, tenho a sensação que ela me oferece uma asa para que eu possa sentir o prazer de seu vôo, ou seria do vento no rosto? E transcendo, transformo, liberto.

Um dia, essa mulher me ofereceu um conto. Mal sabia ela o poder transformador de suas imagens. No conto “O Médico”, o escritor Rubem Alves diz que as imagens são a linguagem da alma. E Karine, nesse conto, transformou a minha. Imaginem que ao terminar o conto, disse-me assim: “…desejo que a florista do destino ponha a mào em cada folha da sua vida.”

Uma vez,  ouvi de de uma grande contadora de histórias uma frase que me marcou muito: “… cada palavra que a menina dizia, era uma flor no vazinho da alma de cada um…”

Talvez depois de passear pela criação de Karine, você concorde comigo que essa “menina” poderia muito bem ser Karine.

Com vocês, o conto “A Florista”, por Karine Rossi.

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Tags: flores música conto poesia escritora dj música poema voar
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A Florista

Tudo aconteceu num tempo - nem antigo nem moderno - quando o amor ainda era tema de todas as histórias.
Nessa época, uma florista bem moça perfumava a vila inteira com suas rosas, lírios e brincos-de-princesa (quase posso sentir … como é grande o poder da lembrança).
A florista subia as ladeiras escondida entre o cheiro das flores que ela mesmo plantava e colhia no quintal. O lugar não era grande, mas cada canto tinha tantas cores e fragrâncias que mais parecia um planeta-delicadeza.  
Era uma jovem bonita, feliz e gentil, mas que tinha uma fraqueza: não sabia dizer não. Ah sim, claro… muita gente se aproveitava dela. Mesmo sem ter dinheiro, muitos lhe pediam as flores. E ela, a florista, sempre entregava… Sempre em troca de um sorriso.
Na descida da ladeira, a Florista viu um rapaz e - exatamente nessa hora – suas flores exalaram um cheiro tão forte que quase a fez cair tonta no chão. Recuperada do súbido, voltou a vê-lo. Baixou a cabeça. Ergueu-a de novo. Andou um pouco. Parou. Olhou para traz e se deu conta de que estava amando.  
Pelas pontas dos pés descalços ela o seguiu. Descobriu sua casa e, todas as manhãs ainda escuras, voltava lá para florir a porta com suas melhores flores: as mais frescas, as mais bonitas, as mais cheirosas e as mais apaixonadas.
Dia após dia. Todos os dias.
Quando ela voltava na madrugada seguinte, as flores do dia passado já tinham sido recolhidas. E ela enchia tudo de novo de flores. Todos os dias.
Até que um dia ela voltou e ainda haviam flores por lá. Mesmo assim, ela floriu. E floriu todos os dias até que a rua inteira ficasse coberta de flores. Todos os dias.  
Quando viu que ele se foi, tentou manter o sorriso. Mas o maço de flores que carregava murchou em seus braços. Desde esse dia, seu quintal viveu um inverno. Seco. Frio. Escuro. E a cidade inteira mudou; o perfume de petala adocicada, caule molhado e folha fresca se transformou em cheiro de gente com pressa, dinheiro amassado e romance rompido.    
Mas o ciclo da vida sempre continua e ela voltou a sorrir. Escolheu as sementes mais ricas e plantou, uma-a-uma, na terra fértil do amanhã. As flores nasceram e ficaram prontas para seguir seu destino de embelezar as casas da cidade.  
Num dia de muito azul e branco no céu, ela seguiu farta de flores. Vendeu quase todas: com algumas ganhou dinheiro, com muitas outras, sorrisos. No fim da tarde, só lhe restava uma flor: um único botão de rosa amarela.

“Esta eu não vendo! Nem por todo o dinheiro do mundo, nem pelo mais belo sorriso”. E foi com a rosa para a casa, companheira agradável no caminho de volta. Aquela flor ela deu para si. Um carinho que cansou de esperar de alguém…
E foi nesse dia, quando aprendeu a dizer não, que - de longe - ela avistou um um homem alinhado no portão da sua casa. Sereno, camisa verde clara, chapéu de feltro branco… Se aproximou, cuidadosa, com medo de ouvir o que temia: “Boas tardes, senhorita florista… Vim para comprar esta flor”. Disse isso e abriu um sorriso tão lindo que a fez esquecer sua promessa. Sem demorar um segundo, ela lhe entregou.
Depois, com um pouco mais de demora, no momento seguinte ao de ver por dentro dos olhos dela, o homem lhe devolveu o botão. Foi incrível ver como ele se abriu durante a viagem entre as mãos… um percurso que durou a eternidade.
Ela reconheceu o cheiro dele. O sorriso. O cheiro era dele… ele estava de volta.   

E isso foi tudo o que eu vi: o lindo fim de uma história em continuação.
Um momento tão sincero que me fez viver feliz para sempre.

Tags: a florista conto flores literatura poema poesia poesia texto criação
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FAZER É A PRÓPRIA POESIA

Na real ou teoria, o que é poesia?
Eu não consigo explicar, só sei que é muito mais alto, largo e profundo
que os adornos da rima.
Poesia vem do latim POIESIS, que significa FAZER. E se fazer é poesia, fazer poesia é redundância (antes fosse na escrita, pois redundante é a vida que insiste em pensar sempre igual e não se descobre).
Portanto, poeme! A poesia emociona, respira, vivifica.
É a energia da ânsia da vida por si mesma.
Faça coisas impossíveis de explicar.
Pois a verdadeira poesia vai muito além das palavras.

Karine Rossi

liberdade_vento

O livro-arte winterverno é uma parceria de Paulo Leminski com o poeta e artista João Suplicy (São Paulo:   Iluminuras,  2001). É uma combinação de textos de  Leminski com as imagens do artista plástico na configuração de haikais, ou poemas-desenhos  - “a categoria mais plástica da poesia oriental”, segundo Blyth, escreve Rodrigo Garcia Lopes, com o intuito de “passar o perfume de uma idéia-emoção com brevidade, humor e sentido”. E continua: “ Os temas costumam ser os lances mais banais; coisas máximas vistas de um modo mínimo e vice-versa. Menos é mais. Por isso, tudo passa a impressão de um certo inacabamento, criando vazios que devem ser completados pelo leitor”.

Trabalhos realizados no final da década de 80, mais precisamente a partir de 1988.

Tags: fazer haikai oriental palavars poeme poesia poiesis criação
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Ilumi_nada

Vem sol, entra

É mais gozo que aparenta

Nessa pele, hoje sedenta

Que demorou pra entender

Que tipo de estrela é você


Karine Rossi


Tags: poesia poesia haikai literatura criacão
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Bouquet

Flor ofertada
Desabrocha na mão
Amor em botão

Karine Rossi

(Essa poesia Haikai, foi criada especialmente por Karine, para A Florista :)

O Haikai

O haikai é uma pequena poesia com métrica e molde orientais, surgida no século XVI, muito difundida no Japão e vem se espalhando por todo o mundo durante este século. Com fundamento na observação e contemplação enfatizando o sentimento natural e milenar de apreciação da natureza através da arte, sentimento este inerente a todo o ser humano. O mais tradicional poeta deste estilo é Matsuo Basho, monge Zen que aperfeiçoou o estilo e divulgou suas obras no final do século XVII.

Ao sol da manhã
uma gota de orvalho
precioso diamante.

Matsuo Basho (1644-1694)

Karine Rossi. Paulista, escritora, redatora e DJ.

karinerossi@globo.com

@karinerossi

Karine Podcast

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~ Wednesday, February 10 ~
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Fernanda Guedes | Flores para colecionar

“…Eu desenho muito, todos os dias, o tempo todo. Além de ser o meu ganha-pão é também a minha maior terapia e diversão. Todos estão convidados a visitar meu blog sempre que quiserem e comentar. Não importa se gostam ou não do que faço, a diversidade de opiniões é bemvinda, até porque, como dizia Nelson Rodrigues, “toda unanimidade é burra”, certo? :-)
Fernanda Guedes

Escolhi essa breve declaração da Fernanda para começar a escrever, porque tenho certeza que qualquer texto que eu viesse a escrever sobre essa artista, não iria descrevê-la melhor. Também não iria explicar de maneira tão explícita, o motivo dela estar aqui, oferecendo suas flores.

Então agora, pare. Abra bem os olhos e chegue mais perto. Observe os detalhes, as cores, as linhas, o tempo, a graça, a história, das ilustrações de Fernanda. Veja. Mas veja com os olhos atentos, não esses olhos embaçados pela poluição: seja ela visual, mental, temporal, ambiental… que às vezes não podem, ou não conseguem perceber o que é belo. Sim, os olhos são janelas da alma e quando os presenteamos com imagens assim, a mágica acontece e a alma agradece. Sentimo-nos alimentados pelo que é belo. Seja uma imagem, uma história, um sentimento.

Fernanda é isso. E observando seu trabalho, (ou seria vida?) Você vai descobrir que ela não poderia ser outra coisa. Esse arranjo que entrego hoje é de alguém que realmente ama o que faz, ou, como ela mesma diz: “vivo para desenhar, desenho para viver”. Pois é. São as 2 coisas e não dá para separar.

Ela me presenteou com seu trabalho mais recente. Na série “Amigos Imaginários”, Fernanda escreve sobre as personagens que desenha e revela mais um talento que nos conduz para uma outra história, outras imagens, além das do papel, é claro. Na internet, ela descobriu uma fonte inesgotável de inspiração para sua pesquisa apaixonada por “gente”. Claro, ela tem site, tem blog, tem flickr, tem twitter, tem myspace, tem vídeo, tem música, tem galeria online! Fernanda Guedes, ou “Lady Guedes”, é criação o tempo todo.

Quando eu perguntei a ela sobre como era seu processo criativo, ela me respondeu que nunca havia pensado nisso :)

Então vai, dá uma volta nesse jardim. E se teus olhos quiserem mais, as flores delas estão bem espalhadas por aí:

• Flickr Lady_Guedes
• Blog FernandaGuedes
• Portfolio FernandaGuedes.com.br
• Myspace LadyGuedes
• Loja Online GaleriaMagenta.com.br

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” Um belo dia, estava desenhando um cara, o primeiro deles, o Nigel, e resolvi que ele ele deveria ter uma história.
Escrevi o que vinha na minha cabeça, sem censura, sem rascunho, sem pensar muito, sem achar que tinha o texto tinha que ser engraçado ou fazer algum sentido.
Acho que queria me sentir próxima dessas pessoas que eu vejo nos blogs (principalmente o do Yvan Rodic, do Facenhunter) e que me seduzem, me instigam.
Eu adoro gente, tenho vontade de tê-las comigo, de colecioná-las! E, ultimamente, desenhá-las já não estava me satisfazendo.
Não sei porque escrevo as “crônicas” em inglês… acho que a explicação que mais faz sentido é porque essas pessoas são todas estrangeiras e não seria condizente escrever em português, pois elas não entenderiam.
Ou seja, piração.
Mas não importa, pois tem me feito bem, me alegrado e, o melhor de tudo, eu sempre me surpreendo com as coisas que acabo inventando…
Acho que muito do que passa pela minha cabeça e vai para o papel tem a ver com o que eu estou sentindo ou vivendo. Alguma coisa sempre “escapa”…
Bjs

F”

Lady Guedes é ilustradora. Vive em São Paulo, já morou no Rio, mas foi criada em Brasília. Gosta de rir e de usar salto alto.

Tags: ilustration design life friendship imagery ilustração amigos imaginário crônica
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@ladyguedes

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